Quando você pensa em jovem, você pensa em alguém cheio de sonhos, pronto a mudar o mundo, certo?
Mas o jovem manauara não é assim!
Eu sou, mas sou excessão da regra. Aqui os jovens não tem sonhos, não tem vontade, não tem alma! Parecem um bando de mortos-vivos que não sabem o que fazer com a vida, sua visão do mundo se limita à cultura coronelista da região. São jovens extremamente conservadores, cópia-cola de seus pais; estudam porque os pais obrigam, ou porque pra trabalharem precisam dos estudos (se não precisa, nem estudam!).
Lembro quando em 2009 a tarefa era fazer redação do porquê estávamos na escola e eu escrevi que meus colegas não tinham nenhuma idéia porquê estavam lá na sala de aula. Todo mundo ficou com raiva de mim, me criticaram, ao mesmo tempo que afirmaram que eu fui ``duro demais´´ - ou seja, só falei verdades, mas pra eles era proibido falar essas verdades, porque machucava a vontade deles de viver na ilusão, ou mesmo do tipo ``sei que sou idiota, mas favor não falar isso´´!
Passou o tempo e os novos jovens destes tempos atuais surgem com uma nova mentalidade, mas só os recentes mesmo, ainda adolescentes. Os já adultos continuam tão decrépitos quanto seus pais e antecessores. A professora pergunta destes jovens do EJA Fundamental 2ª fase qual profissão eles almejam ter, passando de ano. Todos os rapazes levaram na chacota, responderam qualquer coisa e ficaram rindo pra cara do outro!
Pra eles, qualquer emprego ou trabalho que vier, que o destino oferecer, eles engolem felizes. Além de se deixarem serem servos do destino, serão os futuros adultos que resmungarão que odeiam trabalhar, mas trabalham porque são obrigados! Porra, não foi o mesmo que lá atrás aceitou com um sorriso babaca no rosto o emprego que vier!?? As pessoas têm que saberem o que querem!! Têm que pelo menos possuir vontade(s)!
Antes disso, a pergunta era quem vai fazer faculdade. Pra surpresa da professora, ninguém se manifestou, exceto eu. O interessante é que o Amazonas já contava com faculdade pública antes do surgimento do Enem (o que fazia muitas pessoas de outros estados morarem em Manaus só pra cursar a UEA), mas a impressão é que os jovens manauaras continuam vendo a universidade como álgum distante demais, lugar só pra classe média (pensamento provinciano derrotista: se sou pobre, logo sou nada - e me conformo em ser nada! Revoltar-se, que é bom, nada!); ou seja, continuam com o pensamento dos anos 90 - o manauara parou no tempo! Enquanto que leio no livro Anos Rebeldes de Gilberto Braga que os jovens davam valor aos estudos (concluir o Ensino Médio nos anos 60 era como virar doutor!), o manauara acha os estudos perca de tempo!
De certa forma há uma explicação, se lembrar da minha experiência estudantil de criança, quando o ensino se limitava demais em completar palavras com ``s´´ ou ``ss´´ (sem nenhuma explicação do porquê) e copiar textos e mais textos. Lembro de uma tarefa escolar que era copiar um texto de várias páginas - foi tão torturante que acabei pulando trechos do texto escondido de minha mãe! Lembro perfeitamente dos livros didádicos de História e Geografia em que por mais que eu lia não entendia bulhufas, pois as ``explicações´´ desses livros estavam péssimas, linguajar técnico demais ou mesmo malfeitas - só um acadêmico pra conseguir ``decifrar´´ o que aqueles autores diziam!
A história do ensino didático amazonense é péssimo - uma região do país marcada pelo coronelismo. Não condeno quem admita que é ignorante e reconheça que, se tivesse tido acesso a uma educação melhor, seria uma pessoa diferente. O que deprecia é o manauara aceitar a merda de ``cultura´´ que temos (uma contra-cultura) e tratar isso como ``normal´´. Não é normal se acostumar com merda!
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