terça-feira, 29 de agosto de 2017

Povo amazonense mostrou que ama o passado

2017 é definitivamente o ano da máquina do tempo, do retorno ao passado, aonde as pessoas estão numa louca ânsia de voltar ao passado. Tá certo que sabemos que o brasileiro como um todo possui uma gana enorme do passado; aliás, somos uma nação podre de tradicionalista. Mas elegerem para um segundo turno duas figuras fossilizadas é mais que supra-sumo do tradicionalismo, é caso de estudo psicológico.

Amazonino Mendes é uma das figuras políticas mais antigas do estado do Amazonas desde a redemocratização, tanto que há um sentimento de figura folclórica nele. O cara é famosíssimo pela sua forma popularesca e coronelista de fazer política, de ganhar popularidade doando madeira e telha pra quem vinha do interior do estado para a capital Manaus. É uma política cacareca e que se enquadra direitinho no que chamamos de compra de votos e de curral eleitoral, mas os nostálgicos de Amazonino vêem isso até hoje como ato de caridade, e o resultado é que os pais amam o cara até hoje, e os filhos deles que são meros seguidores dos pais votam também em Amazonino, e os filhos dos filhos deles também fazem o mesmo... e o resultado é que Amazonino vai ser eleito até morrer, porque idoso ele já está.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Começamos votando em palhaços, continuamos votando em empresários e terminaremos votando em juízes!

A destruição da política brasileira começou votando em palhaços, continuou votando em empresários e terminará votando em juízes. Isso porque a população brasileira tende a responder a sua orjeriza contra a politicagem não deixando de votar nos péssimos políticos e passando a votar nos bons, mas sim achando que a culpa é da política em si - e os próprios meios de comunicação reforçam isso, ao mostrar só os problemas e nenhuma solução (ou vendem políticos picaretas como se fossem políticos idôneos, como a revista Veja fez com Demóstenes Torres e a Internet faz com Jair Bolsonaro). Daí numa revolta burra, em vez de ocupar e participar da política, começaram a votar em palhaços. Ninguém se tocou na merda que foi votar em Tiririca (ou meia-merda, pois ele pelo fez um projeto de lei pra levar mais verba pras pesquisas científicas) e prosseguiram votando hoje em empresários. Daí veio João Dória que se comporta igualzinho a um coronel da região Norte do país: muita propaganda da própria imagem (inclusive Lula foi assim, mas os direitistas fingem não verem a semelhança!), caridade aos pobres e miseráveis (do jeito que os psicopatas da Direita gostam!) e tratando os dependentes químicos em situação de miséria da forma que todo ignorante gosta, na força policial. Lembrando que a área barata e desvalorizada pela especulação imobiliária (não seja preguiçoso, pesquisar no Google o que é especulação imobiliária não dói!) da antes Cracolândia vai ser entregue pra empresários lucrarem em plena crise econômica, mas o populacho acredita por causa da TV que batidas policiais irão resolver dependência química, acreditam em jornalistas picaretas como o Luciano Faccioli que repente mil vezes que só três meses de internação forçada cura um dependente que crack. As pessoas nem pensam como as pessoas chegaram a Cracolândia, pra acharem depois que um ou três dias resolvem anos de problemas sociais!

Agora a tendência do que será a modinha nas eleições 2018 parece ser a crença (ou convicção?) que a solução da política ou apenas pra manifestar outro protesto burro da população será votando em juízes, porque o Poder Judiciário teve extrema visibilidade nesses tempos atuais de enorme crise da política brasileira, mostrando como o brasileiro não presta atenção que alguma atuação boa do judiciário é justamente graças ao fato dele ser separado do poder executivo, que os juízes fazem o que fazem porque são juízes - como políticos a história seria outra! Levar um juiz pro campo político (legislativo ou executivo) não vai fazer que o "bom" juiz mude a política, e sim que vai judicializar a política, ou seja, os poderes irão se misturar e criar um superpoder, que resultará em tirania! É só lembrar do Coronel Telhada virando deputado estadual, misturando policialesco com política, ameaçou prender uma manifestante que ocupava a ALERJ contra o roubo da merenda escolar.

Interessante é que essa gana de levar juízes pra presidência da república já é meio antigo, começou por volta de 2010, quando a televisão começou a sugerir Joaquim Barbosa pra candidato a presidente. Interessante como era Joaquim Barbosa ontem, hoje é Sérgio Moro, imaginem quem será amanhã! ( Não, não será nenhum que conhecemos hoje, será um outro que a Globo ou o PSDB irá escolher quando Sérgio Moro não servir mais!)

Alguma coisa deu errado e desistiram de Joaquim, daí procuraram outro juiz pra fazer propaganda e escolheram Sérgio Moro, aquele que só pega no pé do PT, só prendeu Eduardo Cunha porque a imprensa começou a pegar no pé, e foi incapaz de denunciar as pilantragens do Michel Temer - Joesley precisou ir atrás de outro juiz pra fazer a delação (esse sim com provas), enquanto Sérgio Moro insiste na novela do tripléx que nem prova tem (documento sem assinatura foi de doer as bolas do cérebro), quem sabe deixando de investigar corrupções sérias que o PT tenha feito mas simplesmente não interessa pra ele, ou esteja envolvendo outros políticos amiguinhos de PSDB/Moro! O cara é um desastre de juiz, além de já haver evidência forte que ele tem ligação com Aércio Neves/PSDB, e as pessoas insinuadas pela internet querem ele presidente da república! O que Sérgio Moro conseguiria fazer como presidente? Investigar e punir corrupção ele não pode, ele poderia no máximo investigar como deputado ou vereador, mas não como presidente, pois presidência da república é poder executivo, é políticas públicas. O que um juiz saberia sobre políticas públicas que uma população necessita? Bosta nenhuma!

As pessoas estão misturando combate à corrupção com anseios da sociedade (aka políticas públicas), achando que resolver corrupção vai chegar dinheiro pra educação e saúde. Não vai, porque o desviu do dinheiro também acontece de outras formas: dinheiro da previdência foi desviado pra enriquecer bancos e isso nem é considerado corrupção ou crime financeiro. Você acha que Sérgio Moro faria auditoria da dívida? O próprio sistema econômico é corrupto em si, pois necessita de dívida pra funcionar, e dívida gera crise. (E você achando que essa crise é culpa exclusiva do PT... kkk...)

Eleger juízes pra presidência não vai resolver os problemas do país, e sim vai piorar mais ainda a situação política do país. Já pioraram em eleger palhaços e empresários, imagina a merda que vai ser juiz presidente da república! Ao dar confiança no Tiririca dizendo que "pior do que tá não fica" viram que pior pode ficar sim, que o ditado certo é que "nada é tão ruim que não possa piorar". Infelizmente como brasileiro é tolo pra caramba, parece que precisam ver primeiro a merda acontecer pra aí aprender a lição. De qualquer forma, foi avisado!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Manauara médio não sabe o que significa a palavra ``assembléia´´!

Meus colegas de sala de aula não sabem o que significa a palavra ``assembléia´´!

Para mim pode ser natural que eu saiba da existência da palavra assembléia deste criança, porque tive privilégio de um pai professor e mãe professora em potencial que me condicionou o hábito à leitura. Se a educação amazonense fosse como a atual propaganda do Governo do Amazonas em que tudo fucional e está as mil maravilhas, seria natural também com meus colegas de sala da segunda fase do EJA Ensino Fundamental. Mas não é assim que as coisas estão!

Pra início, se a educação fosse ótima, não haveria necessidade da existência do EJA. O mito da propaganda de ``educação de qualidade´´ deste Amazonino Mendes até o atual José Melo já se derruba daí.

Escola com o ano letivo atrasada, como a Roberto dos Santos Vieira, primeiro com demora na instalação dos novos ar-condicionados tipo ``splint´´ (há anos atrás já era pras escolas estarem equipadas com esse tipo de ar-condicionado), depois com a demora da eleição do novo diretor da escola, sem sequer manter o antigo até a eleição do novo, deixando a escola acéfala e nas mãos de coordenadores da região pra ``sanar´´ o problema. O resultado está aí: os professores estão sem agenda, tendo que eles mesmos decidirem para que sala vão dar aula - e com a falta de professores que existe deste o ano passado na mesma escola, é sempre as turmas de EJA Fundamental a pagarem o pato e ficarem sem professor, enquanto que até mesmo as salas de EJA Médio se garante professores.

Enquanto que a propaganda do Governo do Estado o ator pago fala que antes não havia recurso tal nas escolas e hoje tem, na vida real vejo total ausência de fotocopiadoras (popularmente conhecido como máquinas xerox) que faz falta constante pra professores e alunos - ou seja, a realidade é o inverso: antes havia recurso tal e hoje não tem.

Diante de tudo isso, não é de se surpreender que meus colegas não saibam o que é assembléia em pleno 2017!

O mais surpreendente talvez foi eles ``chutarem´´ o significado de assembléia como ``coisa de deus´´, por causa do nome de uma instituição religiosa neopentecostal, a Assembléia de Deus. Daí vemos dois detalhes: em como as pessoas ouvem as palavras, não sabem seu significado, e em vez de procurarem um dicionário ou digitar a palavra no Google pelo smartphone (maioria hoje da população tem uma ferramenta poderosa de acesso de conhecimento na palma da mão, mas não sabem usar), se limitam em deduzir, especular o significado da palavra que não conhecem. O hábito à busca no dicionário é tarefa da escola instigar.

O segundo detalhe é a referência popular que as pessoas têm com a palavra: em uma igreja evangélica! Existe a Assembléia Legislativa do Amazonas, mas é desconhecida porque é política, e a população amazonense sequer sabe pra que serve um deputado estadual. No imaginário popular, o que vem à cabeça é a Assembléia de Deus, inclusive a instituição aonde a maioria da população frequenta - o mesmo não se pode dizer da Assembléia Legislativa: quem ``ousar´´ frequentar será ostilizado pela guarda militar que protege os deputados da revolta popular. Isso diz muito da falência das instituições do estado, e quando há a falência da instituição estado, a instituição religiosa ocupa no lugar. A falência das instituições do estado é o cenário perfeito que políticos picaretas sonham: população que não sabe significado de palavras (população analfabeta fucional), que não se sente acolhida em instituições do estado (é um ``saco´´ frequentar a escola) nem sabe pra quê elas existem ou servem (Assembléia Legislativa), mas é extremamente religiosa.

Jovem manauara não sabe se quer cursar faculdade!

Quando você pensa em jovem, você pensa em alguém cheio de sonhos, pronto a mudar o mundo, certo?
Mas o jovem manauara não é assim!
Eu sou, mas sou excessão da regra. Aqui os jovens não tem sonhos, não tem vontade, não tem alma! Parecem um bando de mortos-vivos que não sabem o que fazer com a vida, sua visão do mundo se limita à cultura coronelista da região. São jovens extremamente conservadores, cópia-cola de seus pais; estudam porque os pais obrigam, ou porque pra trabalharem precisam dos estudos (se não precisa, nem estudam!).
Lembro quando em 2009 a tarefa era fazer redação do porquê estávamos na escola e eu escrevi que meus colegas não tinham nenhuma idéia porquê estavam lá na sala de aula. Todo mundo ficou com raiva de mim, me criticaram, ao mesmo tempo que afirmaram que eu fui ``duro demais´´ - ou seja, só falei verdades, mas pra eles era proibido falar essas verdades, porque machucava a vontade deles de viver na ilusão, ou mesmo do tipo ``sei que sou idiota, mas favor não falar isso´´!
Passou o tempo e os novos jovens destes tempos atuais surgem com uma nova mentalidade, mas só os recentes mesmo, ainda adolescentes. Os já adultos continuam tão decrépitos quanto seus pais e antecessores. A professora pergunta destes jovens do EJA Fundamental 2ª fase qual profissão eles almejam ter, passando de ano. Todos os rapazes levaram na chacota, responderam qualquer coisa e ficaram rindo pra cara do outro!
Pra eles, qualquer emprego ou trabalho que vier, que o destino oferecer, eles engolem felizes. Além de se deixarem serem servos do destino, serão os futuros adultos que resmungarão que odeiam trabalhar, mas trabalham porque são obrigados! Porra, não foi o mesmo que lá atrás aceitou com um sorriso babaca no rosto o emprego que vier!?? As pessoas têm que saberem o que querem!! Têm que pelo menos possuir vontade(s)!
Antes disso, a pergunta era quem vai fazer faculdade. Pra surpresa da professora, ninguém se manifestou, exceto eu. O interessante é que o Amazonas já contava com faculdade pública antes do surgimento do Enem (o que fazia muitas pessoas de outros estados morarem em Manaus só pra cursar a UEA), mas a impressão é que os jovens manauaras continuam vendo a universidade como álgum distante demais, lugar só pra classe média (pensamento provinciano derrotista: se sou pobre, logo sou nada - e me conformo em ser nada! Revoltar-se, que é bom, nada!); ou seja, continuam com o pensamento dos anos 90 - o manauara parou no tempo! Enquanto que leio no livro Anos Rebeldes de Gilberto Braga que os jovens davam valor aos estudos (concluir o Ensino Médio nos anos 60 era como virar doutor!), o manauara acha os estudos perca de tempo!
De certa forma há uma explicação, se lembrar da minha experiência estudantil de criança, quando o ensino se limitava demais em completar palavras com ``s´´ ou ``ss´´ (sem nenhuma explicação do porquê) e copiar textos e mais textos. Lembro de uma tarefa escolar que era copiar um texto de várias páginas - foi tão torturante que acabei pulando trechos do texto escondido de minha mãe! Lembro perfeitamente dos livros didádicos de História e Geografia em que por mais que eu lia não entendia bulhufas, pois as ``explicações´´ desses livros estavam péssimas, linguajar técnico demais ou mesmo malfeitas - só um acadêmico pra conseguir ``decifrar´´ o que aqueles autores diziam!
A história do ensino didático amazonense é péssimo - uma região do país marcada pelo coronelismo. Não condeno quem admita que é ignorante e reconheça que, se tivesse tido acesso a uma educação melhor, seria uma pessoa diferente. O que deprecia é o manauara aceitar a merda de ``cultura´´ que temos (uma contra-cultura) e tratar isso como ``normal´´. Não é normal se acostumar com merda!